segunda-feira, 14 de junho de 2010

Father Lucifer, you never looked so sane...

nothing’s gonna stop me from floating








As atitudes dele, as palavras dele. A minha lâmina.

Deus, o que eu fiz de errado?

Ele poderia continuar me ferindo, já estou imune ao veneno dele. Estou imune à sujeira dele.

Ontem passei o dia olhando para a casa que foi nossa um dia, onde fingíamos ser uma família feliz e normal. Não éramos. Nunca fomos.

Os cachorros estão vivos, mas magros. Lembra da minha cachorra que morreu porque você não quis levá-la ao veterinário, pai? E eu nem estava aí, estava (quase ou ilusoriamente) segura na minha distância de 400 quilômetros. Mas nem os cachorros você nos deixa levar.

Você queimou meus livros e meus cadernos porque preferia destruir a devolver.

Até que ponto isso é normal? Você não pode me cobrar atitudes de gente normal, então.
Cresci com um pai alcoólatra, lembra-se?

Eu me lembro muito bem dos passos arrastados, da sua roupa suja, do seu hálito repulsivo...dos seus gritos e do meu pavor.

Pavor, porque eu não sabia o que você seria capaz de fazer contra ela, naquelas condições. Será que mesmo ébrio você mantinha uma boa mira?

As armas sempre estiveram nas gavetas. Não sei como jamais tive coragem de usá-las.

Pavor, porque você exigia de mim coisas absurdas e abusivas e você também é responsável pela minha destruição.

"Frescura", você diz.

"Depressão", os outros dizem. Mas você sempre quis ser o dono da razão e sempre atropelou quem o confrontava com a verdade.

E agora você o destrói, exatamente como fez comigo, e eu, o que posso fazer além de afastá-lo de você? Você me ensinou indiretamente que longe de você é mais seguro.

Mas como você continua a me ligar e a me destruir no meio da noite, acho que o melhor que faço é sumir. Sumir de um jeito que você jamais entenderia.

Passei boa parte do dia sem comer hoje, e me dei conta de que tinha esquecido o quanto aquilo nos dá a sensação de poder. Hoje, naquela hora que eu corria o último quilômetro de volta para casa, eu o esmaguei dentro de mim. Não quero mais nada seu.

Não quero seu sangue correndo nas minhas veias e por isso me cortei mais uma vez.

4 comentários:

  1. doeu LER isso... mas sei que dói muito mais em você VIVER tudo isso.

    ._.


    não sei o que dizer..
    quero apenas que fique bem.

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  2. Nossa... me vi um pouco nesse post...
    Tirando a parte do alcoólatra e dos cachorros, meu pai é igualzinho. Se você ler meu último post vai entender.
    =/

    Sorte.
    =*

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  3. Minha querida, meu anjo...Não se perca, por favor.

    doeu LER isso... mas sei que dói muito mais em você VIVER tudo isso. {2}

    Se você continuar se cortando tanto assim, quem é que vai me doar sangue? =P

    Tá, essa foi péssima, eu sei.

    Fique bem. Tente ficar bem, pelo menos.

    :*

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  4. Nesta ultima frase além do ato, você cortou as palavras e transcendeu, pois também cortou também nossos corações.

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