quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Que esta seja a última vez...



Não direi que é a minha última vez postando aqui. Não posso com um compromisso desses. Não porque eu não esteja melhor: e estou, em muitos aspectos.

Mas não hoje.
Não nos últimos dois dias.

Sinto que falhei. E foi uma falha fatal. Onde eu estava, não é mesmo? Me encerrei em mim para batalhar contra os meus demônios, as minhas doenças e as minhas perdas, e onde eu estive? Estive longe de quem talvez precisasse de mim. E o que eu poderia fazer, o que? Você, pelo menos, estava tentando, eu sei...

Mas você perdeu uma guerra. Minha amiga perdeu uma guerra.

O pior é que sempre pareceu uma tragédia anunciada. Não para ela. Para qualquer uma.
Qualquer uma. Qualquer uma. Qualquer uma, menos as minhas amigas. Para qualquer uma que conhecêssemos apenas em recortes de jornal, por quem lamentaríamos, cujo caso discutiríamos e diríamos, umas para as outras: "Agora pare, por favor. Olhe só isso. Essas doenças matam!"

Não, não...

Não para ela que recebeu dois poemas meus de amigo secreto de natal (e foram dos últimos que consegui escrever) e disse que tinha ciúmes. Que não leria para ninguém, que eu não os publicasse. Eram dela. Meus próximos poemas terão um ar mais triste agora, May...

Que droga, não? Perceber que tudo poderia ser evitado. Perceber que vivemos e morremos em um mundo tão completamente errado. Um mundo que não nos aceita e nos leva mais e mais fundo. Um mundo que nos mata enquanto tentamos melhorar.

É cruel. Apenas isso. E não há nada que possa ser feito para te resgatar, o que é ainda mais cruel.

Que esteja em paz, onde estiver. É a única coisa que posso desejar. E que outras não se enveredem pelo mesmo caminho.

Que esta seja a última vez que venho escrever palavras semelhantes aqui.

sábado, 27 de abril de 2013


Enfraqueço
dia após dia.
noite após noite,
tenho uma sobrevida
insustentável.
Existo e insisto.
Insisto em existir.
Desafio-te:
Consegues ver-me
como vejo meu reflexo?
A um simples toque
desfaço-me em mil
e toda a dor
do mundo
coube a mim.

Apenas para não deixar tudo às moscas de vez.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Senhoras e senhores...

O espetáculo não lhes foi o suficiente, então?

 O sangue resfriando-se no chão, a comida purgada, meus ossos à mostra, a alma despedaçada--espatifada. No frio, os dentes travados, ocultando dolorosas verdades.
Os pesados olhos das expectativas sobre cada vacilante passo meu... A vida desfazendo-se diante de nossos olhos.

 Tudo isso não lhes foi o suficiente, senhoras e senhores? O embaçamento das lágrimas, senhoras e senhores, não é bom o bastante?

 Eu não sou boa o bastante?
 Oh, é apenas o início do espetáculo, e sequer abri as cortinas.

 Tomem seus excelentes lugares, caríssimos. O show promete emoções jamais vistas antes.

 E vocês aí, incapazes de estender uma mão amiga, estão convidados. Roubarei apenas alguns segundos de suas perfeitas vidas.
Excelente, não?

 Ah, o que me restará? O toque da lâmina ou da porcelana...Tão conhecidos, tão íntimos por tanto tempo.

 E caio.
E caio.
 E caio.
 Caí.

 Encolho-me aqui, na minha solidão pungente.
 Entendam-me: Não peço salvações.
Sequer desejo mais da vida. Nenhuma de nós tem mais nada a oferecer uma à outra.
Almejo apenas paz, paz, paz, paz, paz...
Paz proveniente de entranhas e coração vazios.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Perdi-me.

Irremediável. Corte. Corte. Corte. Costura. Costura. Corte. Ainda tento achar meus pedaços por aí.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Only scars remain.

Ainda existem aquelas tênues esperanças. Sorrisos distorcidos, felicidade enviesada, enquanto filetes de sangue escorrem. Mentiras te jogando ao chão. E poucas perspectivas de salvação.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Não estou voltando




Não exatamente. Nem lá, nem cá.
Sem ousar viver ou morrer.
É que fez falta.
O dizer, o sentir, e tudo o que foi não esquecido, mas soterrado.

sábado, 30 de julho de 2011

Ausência

Não vejo muito propósito em manter o blog.
Ainda acompanho alguns de vocês, às vezes.
Não quero deletar, porque sempre foi um lugar para onde eu corria e deixava meus sentimentos transbordarem, muitas vezes com frases sem sentido. E ninguém poderia me censurar.
Não apagarei nenhum dos posts, tampouco. Uma parte decisiva da minha vida foi deixada aqui.

Acontece que não estou postando (tão) mais aqui porque não quero ser mais uma daquelas salvadoras que dizem, "oh, a vida é belíssima!". Sei o quanto isso é incômodo, e chato, e perturbador, quando somos nós que estamos no fundo do poço.
É óbvio que espero que todos fiquem bem. Mas cada um tem seu caminho para isso, e não cabe a mim dizer o que pode funcionar ou não.

Também não quero ficar contando minha vida água-sem-açúcar com gosto residual de aspartame por aqui. Embora nem tudo sejam flores, a vida da pessoa que vos fala está desinteressantíssima.