Fico melhor vazia, porque já estou acostumada. Acostumada a uma anestesia que não passa, e não a essa overdose de sentimentos.
Fico melhor sozinha, porque sei que sou intragável e intratável. Não consigo cativar por muito tempo e, por querer alguém por perto, acabo sempre errando. Erro porque prendo sem me deixar prender. Erro porque quero impor limites ao que é, por natureza, ilimitado. Erro porque só conheço os erros.
Meu destino e minha essência são essa solidão quieta, vazia...quase bela e quase triste.
Não tenho motivos. Não sou. Pouco sei.
Sei que não me reconheço. Sei que não joguei fora o meu passado. Sei que revivo tudo, mais cedo ou mais tarde. Sei que tenho pouco a dizer, mas não posso me calar enquanto não encontrar as palavras exatas. Sei que não tenho algo a buscar. Sei que ponderar cansa. Sei que eu consigo machucar sem querer.
Não entendo mais nada. Não entendo esse vazio que não passa. Vazio? Nesta perspectiva, observo uma bagagem pesada que não é a minha vida. O que seria esse peso enigmático? Não sei, e pelo meu cansaço, deixei de me importar.
E as certezas? Certezas existem?
O relógio incomoda, e a infiltração aumentou. Meu tempo está passado, e tudo à minha volta fica arruinado. Me desacostumei a ser amada. Se você me oferecer uma salvação agora, eu a recusarei. Então, suplico: afaste-se, não quero te machucar.
Preciso me esconder...você é um refúgio seguro?
Não é a primeira vez que me perco, e volto. Ainda não sei aceitar a vida. Ainda não sei aceitar a minha impotência.
Eu só quero que você, ou vocês...família, amigos, amores, vocês todos, tenham tudo de bom. Mas eu não me encaixo em algo de bom, então deixo-os livres, por enquanto. Me retiro com os meus desajustes.
Eu sou a tentativa, sou o quase. Você merece uma constelação, e eu ainda ouso te aguardar...ainda ouso te guardar comigo.
Nem quero mais ver meus futuros possíveis se desdobrando à minha frente. So por hoje eu quero que esse frio persistente acabe em um abraço silencioso, sem mágoas e sem lágrimas.
Chego a acreditar que posso viver um pouco. Dentro da linha estretíssima da normalidade.
Preciso do espanto dos dias que passam para ter a noção exata da realidade.
A realidade me desnorteia, o tudo me confunde. Agora entendo claramente porque estou estagnada. Não é medo...é fraqueza.
Nunca fui tão franca com você, porque nunca consegui ter esta franqueza avassaladora comigo. Ter que reconhecer é o mais difícil.
Seu texto está perfeito. Conseguir sentir tudo que você escreveu. Talvez eu sinta as mesmas coisas... enfim.
ResponderExcluirSorte.
:*
perfect.
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