Estou perdida no meio do caminho. Perdida e paralisada.
Não sei quem sou, muito menos o que quero. Só sei que quero sair daqui, e que começarei um novo ciclo de insatisfação crônica daqui a uns dois anos, mais ou menos.
Mierda.
Sou burrinha demais para o que me propus a fazer há dois anos. E continuo insistindo no erro.
Preciso de novos ares. Fato. Tudo por aqui já saturou. E ainda tenho que me controlar terrivelmente, porque se distribuo patadas nas amigas com quem divido a casa, tô no sal. Mesmo porque, só posso contar com elas duas, aqui. Céus, onde eu fui me meter?
Ando tão pra baixo, tão confusa... E mesmo sabendo que o caos é meu estado essencial e natural, não me reconheço mais.
Quem é que tem reações de pânico, ou crises de choro, toda santa vez que entra numa sala de aula?
Mas tudo bem, já que sou uma "pessoa invisível". Os outros não vêem, e não se importam...a menos que algum defeito venha à tona!
Se fosse o fim, eu tava mais tranquila. Mas não, vaso ruim não quebra, nunca. Só racha e deixa escapar suspiros e lágrimas pelas frestas.
Na real, estou cansada. Exausta. Esgotada.
Parece que nunca mais vai sair algo bom de mim. Jamais. E eu sou a maior prova disso.
Que loser!
E que chata que eu sou.
Que dejeto de pessoa que eu sou.
Sei que tem gente bem pior, doente e passando frio, e eu reclamando da minha vida.
Teoricamente eu "tenho tudo": família, casa, comida, faculdade, namorado, roupa e blá blá blá. Mas algo falta. Acho que só sou amada por obrigação. Ou por piedade. Ponto.
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