terça-feira, 16 de junho de 2009

(des)controle

Me dei conta do vazio. Um mês de compulsão não foi nem de longe o suficiente para tapar os buracos.

O processo de auto-conhecimento, ou mesmo aquela epifania, o momento em que você se dá conta das suas reais vontades, de quem você realmente é, é sempre doloroso. Sempre criamos máscaras para nós, nos iludimos mais do que iludimos aos outros.

Eu realmente queria ter algo bom e sincero para escrever pelo menos uma vez na vida, mas válvula de escape dá nisso sempre, não é?

Enfim, voltei para o meu vício depois de anos. Deve ter sido um surto, só pode. Que criatura de uma hora para a outra (re)começa a achar o alimento repugnante?

Se fosse só isso, estava bem. Eu sempre tenho que fazer mais besteira!

Começo a cogitar a possibilidade de me agarrar no álcool ou no cigarro ou o que quer que seja, tamanho o desespero. Sabe aquela coisa de "não sei o que estou fazendo, não sei porque fiz isso?"
Resultado: acho que daqui a pouco estarei um retalho.

Por ter sido só num momento de vazio - estou numa tristeza daquelas que não deixam a gente sentir mais nada, e se for parar para pensar nisso, ela só aumenta - as lâminas e afins não forma muito fundo. É até bom não ter sido em um momento de raiva, senão a situação era pior.

Mas agora eu paro e penso de novo...será que realmente regredi e agora tenho 13 anos de novo? Porque não faz sentido! Eu sei que é errado, eu sei que é maléfico, mas eu tô dentro do buraco negro e só.

Sorrio para a satisfação dos outros, mas mesmo isso está difícil. Estou saturada e não aguentando mais fingir que está tudo bem.

Acredito que os outros não têm que se envolver nos meus problemas. Orgulho demais, eu sei. Mas já estou orientada a cuidar de problemas dos outros e não dos meus e se eu não posso encostar nos meus problemas, eles muito menos!

E eu estou preocupada!

Não comigo, mas por outra pessoa. Passei o dia inteirinho pensando sobre ela. É uma desconfiança minha, talvez só neurose minha, mas ela dá mostras de sintomas clássicos. E estudante de medicina que ainda não está nem no terceiro ano tende a ter manias de diagnosticar os colegas...nem que seja com disturbios psiquiátricos.

E essa, por sua vez, me lembra uma passagem bem sofrida que tive por aqui (aliás, quero até esquecer estes dois anos, às vezes)...um calvário mesmo, porque tive que provar minha sanidade, o que incluía zero de compulsão, zero de comportamento anormal, zero de distúrbios alimentares, e eu ainda saí humilhada. Doeu tanto, e ainda dói!

Acusações infundadas contra você, por nada, ou por puro egocentrismo por parte dos outros. E tenho certeza de que não me faço de vítima agora, realmente fui vítima da situação.

Isso em meio a um curso extremamente estressante desde o começo. Primeiro, porque você já se mudou para uma cidade completamente estranha, enlutada, depois descobriu que um dos seus melhores amigos se suicidou no mesmo dia da sua mudança.

Depois, tem que lidar com a vida acadêmica nada fácil, numa instituição que não te dá apoio algum. Enfrenta reprovações e críticas, muitas críticas, mas nunca diz o que realmente está acontecendo.

Então um dia, finalmente, você surta de vez, pega um ônibus para uma cidade desconhecida em outro estado mesmo sabendo que está sem dinheiro, e faz sua mãe enlouquecer também.

Eu já fui uma boa pessoa. Eu já fui uma boa filha. Já fui uma boa aluna. Já fui boa de alma, mesmo na época em que eu queria me matar de fome e me cortava sem parar...agora, o que diabos aconteceu comigo? Quem eu sou agora? Onde eu estou? Para onde vou?

Estou perdida e sem perspectivas. E estar sem perspectivas é estar sem esperanças. Estar sem esperanças é já estar morta, por mais que seu coração insista em bater...

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