quinta-feira, 7 de maio de 2009

Leves pitadas de realidade

Você já deve ter visto, ou conhecido, uma daquelas pessoas de quem é difícil arrancar o mínimo esboço de um sorriso. Acho que sou uma delas. Eu sou só isso: uma pessoa de quem é difícil arrancar um sorriso. E isso acontece porque estou suja por dentro.

Suja com a mão que desceu no meu corpo anos atrás, suja com a consciência que não dá paz.Suja com a fumaça do cigarro. Suja e triste e cheia de lamentos. Suja por dentro, com qualquer coisa que me faça esquecer do alimento. Indigna, indigna!

Quem poderia se aproximar de alguém assim? Suja com o pó envenenado, e com qualquer substância correndo nas minhas veias, me corroendo e corroendo quem eu ainda consigo amar. A mulher que me vende a droga por muito pouco não matou o meu pai ontem. Que geração execrável a minha, não? E o pior, é que estamos perdidos e sabemos disto.

Eu acho que estou sentindo certo espanto, meus ossos sobressaltados demais de novo...

Eu acho que não escapei do monstro, e que nada será capaz de me alimentar. Nem corpo, nem alma, e só tenho o frio e o tremor e o medo.

Ela colocou um espelho na minha frente, e eu nem consegui olhar para o espelho, para mim, ou para ela. Só quero ser livre. Livre, leve, solta. Sobretudo leve, voar...

Esse caminho tem volta? Esse caminho tem recaídas, e mais recaídas.
Me lembro do choque, no início...Da primeira perda. Eu tinha o quê? Treze anos, e a minha melhor amiga catorze. Achava que podia salvá-la, ajudá-la de alguma forma, mas nada nunca foi o suficiente, só o silêncio...

Sempre quis fazer tudo certo. Sempre tive aquela pulsão de ser correta. Mas agora há algo me controlando, algo que sufoca.

Até que ponto beleza é maldição ou pecado?
A balança está mentindo para mim, outra vez...


Nenhum comentário:

Postar um comentário