quinta-feira, 7 de maio de 2009

É assim mesmo.

- Tudo bem?
- Tudo, sim.
- Tudo bem mesmo?
- Aham. Pelo menos, eu ainda consigo dormir cerca de duas horas por noite...
(Mas desmorono por dentro o dia inteiro, e às vezes choro à noite como uma criança.

Estou voltando à adolescência, mas já tenho quase vinte anos.

Eu queria que você fosse capaz não só de ler as entrelinhas, como também a minha mente, porque aí eu poderia te pedir ajuda sem ter que gritar para superar essa distância enorme entre nós dois. Eu te amo e sei que sou retribuída, mas algumas coisas não consigo falar nem para você, meu amor. Me desculpe se me escondo nesse canto escuro.

Eu tomo apenas água e meu estômago pesa terrivelmente.

Tento comer, mas parece que voltei àquela época. Sabe, quando eu achava que não precisava das 'benditas' calorias. O alimento volta espontaneamente: já aprendeu o caminho certo de saída, e que não deve ficar dentro do corpo.

Tremo em um dia que os outros dizem quente.

A calçada desaparece sob meus pés. Acho que estou flutuando...no ar, ou na água? Estou me afogando, no fundo do poço.

Estão me levando para longe.

Receberei a setença a qualquer momento. Mea Culpa. Desmaiar em frente a uma "junta médica" depois de três semanas à base de água e alface - alface? Mentira, só de água - dá nisso mesmo)

- Se cuide. Quero que você fique bem, minha querida.

(Ele tem noção de que eu desmorono com isso? Porque eu não faço por merecer. Não... Não mereço que ele se preocupe comigo. Não enquanto eu não consigo sair desse ciclo. Desse circo.)

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