Pela primeira vez em todos esses longos anos, você resolve se encarar: não há máscaras, não há censura que evite este desnudamento.
Não são apenas as idéias. São os fatos. Contabilizados, contados, testemunhados.
E você conta: um ano e um mês, ou quatro anos: tanto faz. A intensidade é a mesma. Como Antonin, sua obsessão por contar a leva para estranhos lugares. E você acumula cada sombra que se forma, sobre seu pensamento ou sobre sua alma.
A mesma escada espiral e a exata mesma vertigem.
“Estou bem, agora”. (Mas nunca menti tanto, querendo tão intensamente acreditar).
No momento seguinte, você mesma acredita estar bem. Talvez até mesmo feliz, apesar de ainda carregar insatisfação.
E neste ponto, você mesma julga-se irrecuperável. E então, como mais uma punição, afoga-se novamente de onde conseguiu sair com tanto esforço. De repente, tudo perde o sentido…mais uma vez.
Você está acostumada a isso: ré e carrasca de si mesma.
E mesmo em meio ao caos, há aquele momento em que você percebe que não precisa de julgamento. Não existem sentenças definitivas. Mas há a capacidade de seguir e renovar.
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