sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Void




Então a equação é bem simples:

Não quero nada, não quero ninguém.

O que me resta?

Nunca estive tão desesperada.

E não, isto nada tem a ver com o peso do meu corpo.

Preciso de um canto escuro. Precipito-me até as minhas janelas sem cortinas e as fecho.

Não quero o conforto de um abraço, caio sobre o travesseiro.

Sim, querido, dialogaremos bastante por essa noite.

E então, eu sabia de alguma forma que eu o faria...acendo um cigarro que não fumarei. Percorro cuidadosamente o rastro de cicatrizes antigas nos meus braços, um segundo com isso, é tudo de que preciso. Preciso de um castigo.

E novamente, não me entendam mal. Não o faço por ser uma garotinha raivosa por ter sido obrigada a comer. Não.

Vai além da compreensão de qualquer um.

É que meu segredo sujo não está mais tão guardado. Eu havia me esquecido dele, de certa forma. Mas ele sempre vem me assombrar, de tempos em tempos.

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